quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Odo Yá rainha do mar

Enquanto eu fazia um escalda-pé com sal grosso,  para aclamar meus pobres pezinhos, meditava sobre o que poderia ser feito para melhorar a festa de Iemanjá. Geralmente, passo no Rio Vermelho de manhã cedo para colocar minha rosa no cesto de presentes cumprindo as obrigações baianas. Hoje, não deu. Fui na hora em que os presentes saíam para serem jogados ao mar. Detesto muvuca, embora como uma pessoa gregária que sou tenha participado de muitas por conta das minhas amizades festeiras, principalmente quando mais  jovem. Mas, sei  andar em uma sem que sequer pisem no meu pé. É só ficar tranquila e seguir o fluxo. Também nunca fui roubada ou sofri qualquer tipo de agressão, empurrão etc etc.
Mas, acho que a administração municipal tem que dar um poouco de ordenamento à festa. É over aquele número enorme de ambulantes carregando caixas gigantes de isopor no meio do povo, carrinhos de bebida por toda a parte, meninos vendendo queijo coalho no meio da multidão com o fogareiro aceso. Tinha que ter uma área fixa para esse pessoal ficar. Muito lixo em tudo quanto era lugar , latas de cerveja, de refrigerante, copos etc. Estou ficando com fobia lixal. Não posso ver lixo que me dá vontade de pegar uma vassoura e botar, é claro, na mão dos sugismundos.
Muita gente com crianças de todas as idades, até em carrinhos de bebê. Embora ache um risco levar crianças para festas como essas, com gente demais de um lado a outro- não encontrei um conhecido sequer e sei que meus amigos estavam lá- fico pensando que são essas crianças que vão manter a tradição no futuro.
De toda forma, não seria ruim se as coisas voltassem a ser como antigamente , quando a festa foi iniciada e ficava restrita aos pescadores e aos devotos da orixá.
Já é tarde – voltei cedo. Passei lá só umas duas horas e me preocupo com os meus que ainda não voltaram após ler noticias sobre arrastões e sobre a chegada de uma força nacional nos sites. Prá que usam celular se não atendem? Não há de ser nada. Que Iemanjá nos proteja.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Desocupa o camarote



 “Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”. A frase do governador Octávio Mangabeira já está surrada, porém continua mais atual do que nunca no estado. Desta vez, o absurdo foi a liminar expedida pela juíza Lisbete Maria Almeida, da 7ª Vara da Fazenda Pública, proibindo uma manifestação popular contra a ocupação da Praça de Ondina, que é pública, já OCUPADA  pelo Camarote Salvador da empresa Premium Eventos, que tomou toda a área incluindo partes da praia do referido bairro. A juíza proibiu a jornalista Nadja Vladi, uma das líderes do Movimento Desocupa de comparecer ao evento sob pena de pagar multa diária de R$5 mil reais.
Fiquei numa dúvida profunda:  porque a desimportância da lei que garente que todos podem podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local?
A  atitude  da juíza desagradou a  todos os que prezam a liberdade de expressão e cerca de 400 pessoas compareceram à manifestação para protestar contra a ocupaçã do local pelo camarote, expandindo o protesto contra o desgoverno municipal e o uso de áreas públicas para a construção dos camarotes, cujos lucros milionários não são revertidos em benefício da cidade.  A manifestação foi uma grande festa- com microfone aberto a todos aqueles que quiseram protestar contra os desmandos desta cidade abandonada pelos poderes públicos, como uma vaca da qual tiram todo o leite e deixam na pele e no osso.
A instalação de camarotes na cidade é considerada uma mina de ouro para seus donos. Conforme os sites noticiosos, no do Premium, o camarote em questão da  praia de Ondina, a diária mais barata custa R$490 e a mais cara R$ 900. Para quem compra o pacote o custo é menor: o kitr masculino para seis dias sai por R$4.980 e o feminino por R$3.690.
Esse lance de proibição das pessoas se manifestarem contra um empreendimento acordado  entre empresários e poderes públicos municipais me deixam com a pulga atrás da orelha. Começo a ver as coisas com uma ansiosa antecipação. Não me sai da cabeça o projeto do PT de “redemocratizar a imprensa”, eufemismo usado para controlar a mídia que não dance conforme a música do partido,  e  até  essa tal comissão estadual de regulação da imprensa criada recentemente pelo governo do Estado.
Por outro lado, já se viu que o povo baiano e soteropolitano, em particular, não gostam nada de ser reprimidos nos seus justos direitos. O movimento vai continuar. E os donos de camarote que se preparem. A prefeitura vai ter que provar que esses empreendimentos dão lucro a cidade, informar de quanto foi esse ganho e onde a grana vai ser utilizada.
Um dos discursos do superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), Cláudio Silva, responsável pelo acordo com a empresa foi o de que não há o que se discutir porque o contrato trouxe benefícios para a cidade e que aquela era uma área usada inclusive para o tráfico de drogas. As más linguas do facebook e de outras redes insinuam que no quesito das drogas deve mudar apenas a clientela, o preço e a quantidade. Mas, nisso eu não me meto porque não frequento camarotes e nunca vi nada.
Enfim, os donos de camarotes e seus acordados que se segurem. Tudo indica que a partir de agora, o povo vai estar de olho neles. A prefeitura que prepare seus recibos e notas fiscais. Se entra dinheiro nessa ocupação desavergonhada do espaço público de Salvador, a grana tem que ser revertida para a cidade, o que até agora ninguém viu acontecer. O que se vê é a situação de decadência e degradação em que nossa terra se encontra. E isso já passou dos limites há muito tempo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

QUE CORTEJO É ESSE?


A Lavagem do Bonfim não é mais aquela

Faltou jegue, mas sobraram veículos motorizados no cortejo da Lavagem do Bonfim. Tinha bloco com carro de apoio com bebidas e mini-trios. Faltaram também fanfarras e bandas. As que lá estiveram foram poucas, e, por volta das 10h30 o cortejo já tinha acabado nas imediações da Associação Comercial, embora o fluxo de pessoas em direção ao Bonfim continuasse grande.
Ouvi pelo rádio que as autoridades se atrasaram e que a cerimonia religiosa acabou não começando no horário. Eu também me atrasei e não vi a saída das baianas, nem a dupla de porta-estandarte e mestre–sala da Portela, mas não sou autoridade e não tinha outro compromisso, a não ser satisfazer meu lado erê.
Faltou a desorganização coesa dos outros anos. Os grupos vinham afastados uns dos outros não mais como um cortejo, mas como várias caminhadas. Sobrou também propaganda política. Muitos balões, banners  e camisetas com nomes dos partidos. Ano eleitoral é um saco. Os políticos e autoridades passaram em brancas nuvens pelo povo, sem aplausos nem vaias. Um silêncio de morte?
Durante o trajeto se vendia feijoadas em vários points onde rolava um sambinha e alguns paravam para se divertir. Até agora, eu estou tentando digerir a moela do Cólon, restaurante da Cidade Baixa- não confundir com  cólon intestino. Esqueço que meu fígado sempre protesta me provocando uma baita dor de cabeça.
Nessas horas vem o lado amargo da minha gula: chá de boldo e camomila. Entre as coisas divertidas, um grupo de estrangeiros fazia a sua estréia na festa, com uma batucada mais ou menos e duas ritmistas na frente, que com certeza tomaram aula de dança afro e aprenderam direitinho. Porém, apesar dos movimentos corretos, havia uma coisa que não se encaixava. Falta de molejo? Pareciam tão preocupadas em não errar os passos que não se divertiam. Se eu estivesse em outro país, juro que não adivinharia que dança era aquela.  Contudo, imagino que esta será uma das boas recordações que o grupo vai guardar para o resto da vida.
Na realidade, o que sinto é que está faltando um tratamento carinhoso para as festas populares por parte das autoridades. É verdade que o cortejo se fêz sozinho e que é levado de forma quase espontânea pelos participantes, mas, já que os políticos usam a ocasião para fazer propaganda, bem que poderiam trabalhar no sentido de dar mais vida e mais som à festa com a contratação de sambistas e de fanfarras, antes que a festa acabe e que as pessoas resolvam ir para o Bonfim cada um por sua própria conta e caminho.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

De Web Jet a Web Jeg: 5 horas de Salvador para o Rio

Web Jeg foi como os passageiros do vôo da Web Jet que deveria sair de Salvador às 17h, com conexão em Belo Horizonte, saiu  às 17h20 e chegou às 22h ao Rio. No Aeroporto de Confins, em Minas, a confusão era grande e os passageiros embarcaram com mais de uma hora de atraso.O piloto explicou que um avião teve uma pane e que a coordenação tentou trocá-la por outra e que o trabalho não deu certo. A coordenação foi descoordenada.
Depois de enfrentar várias turbulências, ao chegar no Santos Dumont outra novidade. As bagagens extraviaram e viriam por um avião da Trip. Mais 40 minutos de espera. Alguns passageiros perderam seus vôos de conexão. Uma moça teve sua mala violada. Enfim, só as 23 horas conseguimos deixar o aeroporto.
Durante o estresse gerado pelo extravio das malas, uma funcionária explicou que tiveram que passá-las para o avião da Trip porque o do Web Jet estava com muito peso: "Vocês prefeririam que o avião caísse?" indagou para indignação dos passageiros.
Eu, tirando esses perrengues até que gostei da viagem. O vôo foi tranquilo e as turbulências tiveram seu lado divertido. Parecia um parque de diversões com o avião balançando toda e um gaiato falando" êta estradinha ruim".
Bom, felizmente, o avião não caiu e estamos no Rio de Janeiro. Meu filho me convida para ir ao Centro Cultural Carioca. Acho que não. Depois de tantas emoções eu quero é uma boa cama.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Troquei casinha na Marambaia pela interação no facebook. Mas não vai ficar assim.

Tenho andado afastada do blog.
A culpa é do facebook que toma muito o meu tempo.
Passo para dar uma olhadinha e lá estou eu dando palpite em tudo. Quando vou ver, já se passaram uma, duas horas. É um passatempo e tanto. Deve ser por causa do facebook que o ano já está acabando.Voou. Percebo sequelas do tempo em meu rosto. É natural.
Não digo que fico feliz, mas é melhor do que estar morta.
Fico pensando que meu rosto não combina comigo. Me sinto tão menina.
Acho que por dentro parei nos 17 anos, com todas as vantagens de minha idade atual.
Isso é bom? Isso é mal?
Para mim, como já disse, é bem natural.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O povo não tem mais paciência para com os corruptos

Os estudantes na entrada do Palácio de Ondina
“O povo acordou. O povo decidiu. Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil”, ”Agiliza por favor, 15 anos é demais para o Metrô”. Até  o velho  slogan usado na época dos protestos contra a ditadura “o povo unido jamais será vencido”  foi ressuscitado pelas centenas de jovesns estudante que junto à  pessoas de variadas idades e profissões participaram hoje à tarde da Marcha contra a Corrupção que saiu do Cristo da Barra e foi até as imediações do jardim Zoológico, em Ondinha. Aos gritos, os manifestantes pediam o fim do voto secreto parlamentar e a volta da Ficha Limpa em 2012.  Os estudantes,  entusiasmados com a  experiência, nova para a maioria deles, seguiram em frente após a dispersão e chegaram até o palácio, moradia do governador Jaques Wagner, onde cantaram e gritaram palavras de ordem sob os olhares tolerantes dos seguranças.
Banners, cartazes e muitas bandeiras na passeata que mostrou que, de fato, a paciência contra os escândalos de corrupção no país está no fim. Ninguém mais suporta.  A entidade mais forte que se fez presente foi a OAB. Nada mal para um movimento que, na Bahia, começou com manifestações de funcionários da Petrobrás, revoltados com o aparelhamento da empresa, que segundo eles substituiu técnicos experientes por “companheiros” que não entendem de nada. O aluguel do modesto carro de som foi rateado entre os organizadores da manifestação e custou R$ 3 mil. Alguns grupos mandaram confeccionar camisas e banners, mas o forte mesmo foi o improviso e muita vibração.
Desde ontem uma informação no Facebook  conclamava as pessoas para a caminhada que afirmava seria realizada às 10 horas. Uma tentativa pueril de sabotar o movimento? Se foi, não deu em nada. Quantas pessoas foram? Não sei calcular. Pensei em 600, mas houve quem dissesse que tinha mais de mil. Policiais Militares consultados disseram não ter condições de calcular.
Enfim, entre mortos e feridos salvaram-se todos. O pessoal do PT se preocupou à toa. A passeata foi pacífica, sem influência partidária. Não se  ofendeu nem se xingou ninguém ( ah, sim, na verdade sobrou para Sarney. Alguns estudantes entoaram o mesmo coro cantado contra ele no Rock in Rio). No mais, dá para apostar que o movimento está apenas no começo e que os nossos políticos não continuarão tendo o mole que tiveram até hoje. A sociedade está de olho e aprendendo a exigir os seus direitos. Palavrórios e demagogias correm o risco de cair no vazio. Tomara que seja assim.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Orquídeas no Palacete das Artes



O Palacete das Artes Rodin Bahia realiza, a partir de amanhã ( sexta-feira, 23.09.2011) às 10h, da III Mostra de Orquídeas de Salvador. Promovida pela O.B.A,  Orquidófilos Baianos Associados, a mostra que será encerrada neste domingo acontecerá diariamente das 11 às 18h com exposição de várias espécies da planta, como as exóticas cattleya, laelia, oncidium, dendrobium, vanda, ascocenda, e outras espécies nacionais e estrangeiras. Mudas de orquídeas serão vendidas no evento. Paralelamente à exposição, estão previstas oficinas de cultivo, com Roland Cooke, no sábado e domingo, às 11 horas; palestra de Cássio Wanderberg sobre “Biologia das Orquídeas”, às 16 horas do sábado; e palestra de Francisco Parente, com o tema “Noções de cultivo de orquídeas”, às 16 horas do domingo.
A mostra será palco também do lançamento da I Feira de Orquídeas e I Encontro de Orquidófilos na Chapada Diamantina que acontecerá em maio de 2012 na cidade de Lençóis, atraindo para a região colecionadores de várias regiões do Brasil e do mundo. Diretores da Ato Consultoria em Desenvolvimento Humano e Organizacional Ltda, organizadora do evento que terá a parceria do Sebrae, Senac, e Convention Bureau,  com o apoio da prefeitura municipal de Lençóis, estarão à disposição da imprensa às 11h desta sexta para falar sobre os objetivos e a importância do evento que deverá reunir cerca de três mil pessoas, entre curiosos, ,moradores da região, estudantes, botânicos e orquidófilos.
Largamente cultivadas no Brasil e no mundo, o comércio de orquídeas movimenta grandes somas de dinheiro todos os anos em um mercado crescente. No Brasil, grandes orquidários no Sudeste já produzem centenas de milhares de plantas por ano, que são exportadas para outros países ou vendidas até em supermercados. Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existem em todos os continentes, exceto na Antártida, predominando nas áreas tropicais
O nome orquídea vem do grego όρχις (órkhis) que significa testículo e ειδος (eidos) que significa: aspecto, forma; em referência ao formato dos dois pequenos tubérculos que as espécies do gênero Orchis apresentam. Como este gênero foi o primeiro gênero de orquídeas a ser formalmente descrito, dele derivou o nome de toda a família.