terça-feira, 8 de outubro de 2024
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Odoyá Iemanjá
![]() |
| Foto de Shirley Stolze |
Depois de levar um bolo de minhas
amigas, que resolveram deixar para ir ao
Rio Vermelho à tarde, para ver os barcos
saírem com as oferendas para Iemanjá,
desci sozinha para a praia de
Santana. À tarde, é muita gente, muita
muvuca para o meu gosto. No caminho
encontrei uma amiga e o marido. Se conheceram há 34
anos na festa de Iemanjá e estão juntos até hoje. A fila, para colocar os
presentes na casinha da orixá, que seriam levados à tarde ao alto-mar, já estava nas imediações da Farmácia Santana,
na Rua da Paciência, mais de 500 metros de distância. Paciência é uma das
virtudes que preciso adquirir, mas só na próxima encarnação. Nessa, já desisti.
Calculei que levaria umas três horas para chegar na casinha. Estou fora.
Resolvi descer a escarpa e me juntar às dezenas de pessoas, que de branco, jogavam
flores diretamente das pedras. Numa delas, um pai de santo jogava água benta
nos devotos e quase que eu ia para lá, mas achei que era muita cara de pau
pongar no grupo.
Levei três rosas: uma , a minha, a primeira a
florir da minha roseira, e duas que
comprei: uma branca para a minha comadre que viajou, e me incumbiu de jogar a
sua flor e outra, uma azul, para um amigo sem fé. Na descida das pedras, minha
sandália escorregou, caí, e quase fui
dizer alô a Iemanjá pessoalmente. Tudo bem. Apesar do vestido sujo de algas e
do limo das pedras fiz os pedidos: paz, saúde e prosperidade.
Na volta, um pai de santo benzia
as pessoas. Reparei que na cestinha dele tinha R$ 20. Não levei dinheiro, só
trocados, mas ele me chamou e eu fui. Fêz uma benzedura completa. Eu tinha
avisado que não tinha dinheiro, mas quando botei minhas moedinhas na cestinha
ele perguntou: “Só tem isso”? e eu:
“Avisei que não tinha grana”. Espero que a benzedura ainda esteja valendo.
Várias rodas de capoeira, e as
pessoas continuavam chegando, muitas flores, desde grandes buquês a simples
rosinhas e flores do campo. Embora tenha sido pedido que se evitasse frascos de
perfume e presentes de elementos
não-degradáveis, o pessoal não respeitou. Bonecas, perfumes, barquinhos de
madeira eram dos presentes mais frequentes. Um dos barcos chamava a atenção
pelas cores: vermelho, azul e branco.
Certamente, devia ter alguns outros nas cores vermelho e negro.
Em alguns botequins pessoas
comiam feijoada. Tinha de todos os preços. As casas noturnas e restaurante da
região ofereciam festas privês com valores que ficavam entre $70 e R$ 200. Geralmente as tais festas
de “ gente bonita”, como gostam de dizer os colunistas, na verdade, quase
sempre festas de pessoas feias bem vestidas.
Meu ex-vizinho Aloisio me
convidou para uma feijoada na casa dele. Conheço os poderes gastronômicos de
Fofão, como é mais conhecido, que gostava de cozinhar de madrugada e que me
acordava com o cheiro delicioso de seus petiscos. Minha máquina de fotografar
falhou. A memória estava cheia e não consegui apagar. A fotógrafa Shirley
Stolze, amiga de infância de meus irmãos menores, que passou a noite
registrando a festa e que pretendia ficar até o inicio da noite, disse que eu
poderia usar as fotos dela. O que pretendo fazer. E que Iemanjá escute os
nossos pedidos que forem justos e entre eles que as tradições da Bahia se
mantenham por muitos e muitos anos.
quinta-feira, 14 de março de 2013
domingo, 2 de setembro de 2012
Capitães do nada
Hoje, pela manhã, ao andar com Hulk, meu caõzinho como faço todos os dias, hesitei quando vi vindo em minha direção três meninos entre 12 e 14 anos, obviamente moradores de rua, sujos, sujos e sujos. Não sujeira de poeira, de lama coisas assim. Roupas sujas de não serem trocadas ou lavadas há muito tempo. Me controlei, e passei por eles que não estavam preocupados comigo, e olhavam para trás o tempo todo. Olhei e vi um caror de policia parado mais adiante e um outro menino parado olhando para o carro da policia enquanto os amigos gritavam para que viesse com eles. Perguntei a um deles"é sse que não. Não estavam drogados. O carro da policia parou junto a eles, deram um baculejo, não estavam armados.Tiraram um monte de papéis do bolso de um deles. O policial rasgou os papés e jogou-os um junto a um poste (poxa, sujaram a calçada, pensei). Depois que saíram, fui até lá e peguei os papéis rasgados, todos do mesmo tamanho e juntei as partes. Estava impresso: "Bom dia, Boa tarde, Boa noite. Estou pedindo uma pequena ajuda para botar uma guia de amendoim dourado. Você dá e Deus te dá amanhã em dobro.Qualquer quantia é suficiente.Obrigado e boa viagem". Quem anda de ônibus está acostumado a receber esses papéis e similares de meninos e mesmo adultos pedintes. Tudo organizado.
Isso, ao meu ver, é coisa de quadrilhas que exploram meninos em situação de risco .
Possivelmente, entre uma oportunidade e outra, os meninos roubam. perguntei a um deles. Porque a policia pegou o amigo de vocês? "A mulher disse que ele ia roubar ela", respondeu um deles.Roubou? perguntei. "Não", ele disse. os meninos seguiram, a policia também.
De repente, a policia parou mais mais três que vinham atrás. Me aproximei. os meninos suspenderam as mãos, os policiais olharam para ver se estavam armados. mais papeizinhos rasgados. "Tem dinheiro aí?", perguntou um policial. Parei e fiquei olhando. Não tinha dinheiro. "Vocês vem da casa do... para roubar aqui. Se adiantem, não quero ver vocês pelo bairro", mandou o policial. Os meninos seguiram.Fiquei penalizada com a situação deles. Obviamente , não sou ingenua de pensar que eles eram garotos inofensivos. Sabe-se lá o que seriam capazes de fazer por R$ 5 ou R$ 10. Percebi uma certa solidariedade entre eles, quando vi que paravam para esperar os outros, em lugar de saírem correndo como era de se esperar.
O que me entristece e me deixa indignada é a falta de oportunidades dessas crianças. São bichinhos, nasceram bichinhos, vivem como bichinhos e provavelmente morrerão assim. O que está se fazendo para dar a essas crianças um lugar decente na sociedade? Nada. Só discursos. O Brasil melhorou para quem, senhor ex-presidente dos "alinhados"? Melhorou principalmente para aqueles que já estavam bem. O assistencialismo do bolsa familia e similares não chega para todos. Os miseráveis não precisam de esmolas. Precisam deixar de ser miseráveis. O que é que o governo que se auto intitula "nunca na história desse país" fez por esses meninos? O que o governo atual está fazendo por eles. Nada. Eles morrerão bichinhos e a continuar no rumo que estão acabarão matando e sendo mortos. E as pessoas que os exploram e certamente ficam a esperar dos trocados que eles levam? De certa forma os protegem, já que o Estado não faz. Não acredito em nenhum governo que não faça nada por essa gente. Sem demagogia, sem cinismo e sem a egolatria dos farsantes de sempre.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Salvador, cidade fortaleza e mãe
| Foto: Hieros Vasconcelos |
* Aurora Vasconcelos
Quando Thomé de Souza chegou à Baía de Todos os Santos, há 463 anos atrás, trazia como missão construir a mais poderosa fortaleza militar de Portugal no Hemisfério Sul. A cidade nasceu de um projeto político com regimento datado de 17 de dezembro de 1548 que instituiu para ela poderes e deveres, limites e ações, forma e conteúdo. As informações fazem parte do livro “A Fortaleza do Salvador na Baía de Todos os Santos”, de Luiz Walter Coelho Filho, um advogado que transformou seu amor por Salvador e o interesse pela sua história em um ensaio, que conta detalhadamente como foi criada a primeira capital geral do Brasil, em apresentação escrita pelo historiador Francisco Senna.
Essa história está no Códice 112 , livro de registros dos atos do Governo Geral, aberto em 1º de janeiro de 1549. A seleção do local, a definição do perímetro, a construção dos acessos, a articulação entre o alto e o baixo, o traçado urbano, a localização da Sé, a posição da praça principal, a simetria das formas, a concepção dos baluartes e tantos outros itens, como explica o autor do ensaio, possuem individualidade histórica.
Os turistas que caminham sobre as pedras do Centro Histórico de Salvador, e principalmente os próprios baianos, em geral desconhecem os interesses e detalhes que deram origem a esta cidade que têm hoje cerca de três milhões de habitantes e que carece de um novo projeto para transformá-la numa cidade mais habitável e acolhedora.. A polis cresceu, se expandiu e seus constantes engarafamentos e dificuldades de locomoção, bem como construções irregulares de ponta a ponta, comprovam a falta de um plano administrativo tornando a cidade viável para a sua população.
A Salvador, que fica fora dos limites do Centro Histórico e também dentro dele, está quase insuportável na visão dos seus moradores, que trocam impressões pelas redes sociais lamentando e exigindo mais cuidados para a formosa matriz das capitais brasileiras. Embora o objetivo dos portugueses tenha sido uma cidade forte, capaz de defender seus interesses dos piratas e dos inimigos do Reino, a sua criação no platô da Misericórdia tornou possível admirar a maravilhosa vista da Baía de Todos os Santos e de vários recantos da Soterópolis.
O traçado do projeto está preservado no Centro Histórico, como enfatiza Luiz Walter: algumas ruas foram alargadas, as rampas de acesso foram secionadas pela Ladeira da Montanha, a Igreja da Sé foi demolida para dar passagem às linhas dos bondes em 1938, no que os historiadores consideram um erro histórico, mas o básico ainda está lá. E é preciso dignificar a nossa história. Ao tentar fazer a sua parte, o escritor que nesta quarta vai receber a medalha Thomé de Souza, na Câmara dos Vereadores, estará lançando um vídeo com a reconstituição do projeto no sítio original. Um presente para a cidade que na visão daqueles que a amam merece mais respeito e mais carinho daqueles que a administram.
· Publicado no jornal Tribuna da Bahia de 28/032012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
CARNAVAL DE PELEGOS
TÁ DOMINADO!
Eu já sabia, tinha percebido há tempo e hoje durante a Mudança da Garcia, me desiludi de vez. O bloco acabou. Pelo menos conceitualmente. Hoje, os grupos que se encontram no fim de linha do Garcia desfilam separadamente sem nenhuma coesão. Uma crítica ou outra, alguma coisinha engraçada ali e nada mais de novo.Feijão com arroz. O pessoal da CÛT, por exemplo, não se dá nem ao trabalho de fazer cartaz novo. Com todos os escândalos que irromperam no país de um ano para cá eles desfilam com cartazes velhos falando de Inss, Previdência, ditados e um monte de coisa sem importância para quem quer que seja. Sem importância até para eles. É nisso que dá vender a alma ao diabo. Os vendidos estarão sempre subjugados a quem os comprou...
Eu já sabia, tinha percebido há tempo e hoje durante a Mudança da Garcia, me desiludi de vez. O bloco acabou. Pelo menos conceitualmente. Hoje, os grupos que se encontram no fim de linha do Garcia desfilam separadamente sem nenhuma coesão. Uma crítica ou outra, alguma coisinha engraçada ali e nada mais de novo.Feijão com arroz. O pessoal da CÛT, por exemplo, não se dá nem ao trabalho de fazer cartaz novo. Com todos os escândalos que irromperam no país de um ano para cá eles desfilam com cartazes velhos falando de Inss, Previdência, ditados e um monte de coisa sem importância para quem quer que seja. Sem importância até para eles. É nisso que dá vender a alma ao diabo. Os vendidos estarão sempre subjugados a quem os comprou...
É assim que se acabam. Vão se diluindo aos poucos.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Odo Yá rainha do mar
Enquanto eu fazia um escalda-pé com sal grosso, para aclamar meus pobres pezinhos, meditava sobre o que poderia ser feito para melhorar a festa de Iemanjá. Geralmente, passo no Rio Vermelho de manhã cedo para colocar minha rosa no cesto de presentes cumprindo as obrigações baianas. Hoje, não deu. Fui na hora em que os presentes saíam para serem jogados ao mar. Detesto muvuca, embora como uma pessoa gregária que sou tenha participado de muitas por conta das minhas amizades festeiras, principalmente quando mais jovem. Mas, sei andar em uma sem que sequer pisem no meu pé. É só ficar tranquila e seguir o fluxo. Também nunca fui roubada ou sofri qualquer tipo de agressão, empurrão etc etc.
Mas, acho que a administração municipal tem que dar um poouco de ordenamento à festa. É over aquele número enorme de ambulantes carregando caixas gigantes de isopor no meio do povo, carrinhos de bebida por toda a parte, meninos vendendo queijo coalho no meio da multidão com o fogareiro aceso. Tinha que ter uma área fixa para esse pessoal ficar. Muito lixo em tudo quanto era lugar , latas de cerveja, de refrigerante, copos etc. Estou ficando com fobia lixal. Não posso ver lixo que me dá vontade de pegar uma vassoura e botar, é claro, na mão dos sugismundos.
Muita gente com crianças de todas as idades, até em carrinhos de bebê. Embora ache um risco levar crianças para festas como essas, com gente demais de um lado a outro- não encontrei um conhecido sequer e sei que meus amigos estavam lá- fico pensando que são essas crianças que vão manter a tradição no futuro.
De toda forma, não seria ruim se as coisas voltassem a ser como antigamente , quando a festa foi iniciada e ficava restrita aos pescadores e aos devotos da orixá.
Já é tarde – voltei cedo. Passei lá só umas duas horas e me preocupo com os meus que ainda não voltaram após ler noticias sobre arrastões e sobre a chegada de uma força nacional nos sites. Prá que usam celular se não atendem? Não há de ser nada. Que Iemanjá nos proteja.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Desocupa o camarote
“Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”. A frase do governador Octávio Mangabeira já está surrada, porém continua mais atual do que nunca no estado. Desta vez, o absurdo foi a liminar expedida pela juíza Lisbete Maria Almeida, da 7ª Vara da Fazenda Pública, proibindo uma manifestação popular contra a ocupação da Praça de Ondina, que é pública, já OCUPADA pelo Camarote Salvador da empresa Premium Eventos, que tomou toda a área incluindo partes da praia do referido bairro. A juíza proibiu a jornalista Nadja Vladi, uma das líderes do Movimento Desocupa de comparecer ao evento sob pena de pagar multa diária de R$5 mil reais.
Fiquei numa dúvida profunda: porque a desimportância da lei que garente que todos podem podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local?
A atitude da juíza desagradou a todos os que prezam a liberdade de expressão e cerca de 400 pessoas compareceram à manifestação para protestar contra a ocupaçã do local pelo camarote, expandindo o protesto contra o desgoverno municipal e o uso de áreas públicas para a construção dos camarotes, cujos lucros milionários não são revertidos em benefício da cidade. A manifestação foi uma grande festa- com microfone aberto a todos aqueles que quiseram protestar contra os desmandos desta cidade abandonada pelos poderes públicos, como uma vaca da qual tiram todo o leite e deixam na pele e no osso.
A instalação de camarotes na cidade é considerada uma mina de ouro para seus donos. Conforme os sites noticiosos, no do Premium, o camarote em questão da praia de Ondina, a diária mais barata custa R$490 e a mais cara R$ 900. Para quem compra o pacote o custo é menor: o kitr masculino para seis dias sai por R$4.980 e o feminino por R$3.690.
Esse lance de proibição das pessoas se manifestarem contra um empreendimento acordado entre empresários e poderes públicos municipais me deixam com a pulga atrás da orelha. Começo a ver as coisas com uma ansiosa antecipação. Não me sai da cabeça o projeto do PT de “redemocratizar a imprensa”, eufemismo usado para controlar a mídia que não dance conforme a música do partido, e até essa tal comissão estadual de regulação da imprensa criada recentemente pelo governo do Estado.
Por outro lado, já se viu que o povo baiano e soteropolitano, em particular, não gostam nada de ser reprimidos nos seus justos direitos. O movimento vai continuar. E os donos de camarote que se preparem. A prefeitura vai ter que provar que esses empreendimentos dão lucro a cidade, informar de quanto foi esse ganho e onde a grana vai ser utilizada.
Um dos discursos do superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), Cláudio Silva, responsável pelo acordo com a empresa foi o de que não há o que se discutir porque o contrato trouxe benefícios para a cidade e que aquela era uma área usada inclusive para o tráfico de drogas. As más linguas do facebook e de outras redes insinuam que no quesito das drogas deve mudar apenas a clientela, o preço e a quantidade. Mas, nisso eu não me meto porque não frequento camarotes e nunca vi nada.
Enfim, os donos de camarotes e seus acordados que se segurem. Tudo indica que a partir de agora, o povo vai estar de olho neles. A prefeitura que prepare seus recibos e notas fiscais. Se entra dinheiro nessa ocupação desavergonhada do espaço público de Salvador, a grana tem que ser revertida para a cidade, o que até agora ninguém viu acontecer. O que se vê é a situação de decadência e degradação em que nossa terra se encontra. E isso já passou dos limites há muito tempo.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
QUE CORTEJO É ESSE?
A Lavagem do Bonfim não é mais aquela
Faltou jegue, mas sobraram veículos motorizados no cortejo da Lavagem do Bonfim. Tinha bloco com carro de apoio com bebidas e mini-trios. Faltaram também fanfarras e bandas. As que lá estiveram foram poucas, e, por volta das 10h30 o cortejo já tinha acabado nas imediações da Associação Comercial, embora o fluxo de pessoas em direção ao Bonfim continuasse grande.
Ouvi pelo rádio que as autoridades se atrasaram e que a cerimonia religiosa acabou não começando no horário. Eu também me atrasei e não vi a saída das baianas, nem a dupla de porta-estandarte e mestre–sala da Portela, mas não sou autoridade e não tinha outro compromisso, a não ser satisfazer meu lado erê.
Faltou a desorganização coesa dos outros anos. Os grupos vinham afastados uns dos outros não mais como um cortejo, mas como várias caminhadas. Sobrou também propaganda política. Muitos balões, banners e camisetas com nomes dos partidos. Ano eleitoral é um saco. Os políticos e autoridades passaram em brancas nuvens pelo povo, sem aplausos nem vaias. Um silêncio de morte?
Durante o trajeto se vendia feijoadas em vários points onde rolava um sambinha e alguns paravam para se divertir. Até agora, eu estou tentando digerir a moela do Cólon, restaurante da Cidade Baixa- não confundir com cólon intestino. Esqueço que meu fígado sempre protesta me provocando uma baita dor de cabeça.
Nessas horas vem o lado amargo da minha gula: chá de boldo e camomila. Entre as coisas divertidas, um grupo de estrangeiros fazia a sua estréia na festa, com uma batucada mais ou menos e duas ritmistas na frente, que com certeza tomaram aula de dança afro e aprenderam direitinho. Porém, apesar dos movimentos corretos, havia uma coisa que não se encaixava. Falta de molejo? Pareciam tão preocupadas em não errar os passos que não se divertiam. Se eu estivesse em outro país, juro que não adivinharia que dança era aquela. Contudo, imagino que esta será uma das boas recordações que o grupo vai guardar para o resto da vida.
Na realidade, o que sinto é que está faltando um tratamento carinhoso para as festas populares por parte das autoridades. É verdade que o cortejo se fêz sozinho e que é levado de forma quase espontânea pelos participantes, mas, já que os políticos usam a ocasião para fazer propaganda, bem que poderiam trabalhar no sentido de dar mais vida e mais som à festa com a contratação de sambistas e de fanfarras, antes que a festa acabe e que as pessoas resolvam ir para o Bonfim cada um por sua própria conta e caminho.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
De Web Jet a Web Jeg: 5 horas de Salvador para o Rio
Web Jeg foi como os passageiros do vôo da Web Jet que deveria sair de Salvador às 17h, com conexão em Belo Horizonte, saiu às 17h20 e chegou às 22h ao Rio. No Aeroporto de Confins, em Minas, a confusão era grande e os passageiros embarcaram com mais de uma hora de atraso.O piloto explicou que um avião teve uma pane e que a coordenação tentou trocá-la por outra e que o trabalho não deu certo. A coordenação foi descoordenada.
Depois de enfrentar várias turbulências, ao chegar no Santos Dumont outra novidade. As bagagens extraviaram e viriam por um avião da Trip. Mais 40 minutos de espera. Alguns passageiros perderam seus vôos de conexão. Uma moça teve sua mala violada. Enfim, só as 23 horas conseguimos deixar o aeroporto.
Durante o estresse gerado pelo extravio das malas, uma funcionária explicou que tiveram que passá-las para o avião da Trip porque o do Web Jet estava com muito peso: "Vocês prefeririam que o avião caísse?" indagou para indignação dos passageiros.
Eu, tirando esses perrengues até que gostei da viagem. O vôo foi tranquilo e as turbulências tiveram seu lado divertido. Parecia um parque de diversões com o avião balançando toda e um gaiato falando" êta estradinha ruim".
Bom, felizmente, o avião não caiu e estamos no Rio de Janeiro. Meu filho me convida para ir ao Centro Cultural Carioca. Acho que não. Depois de tantas emoções eu quero é uma boa cama.
Depois de enfrentar várias turbulências, ao chegar no Santos Dumont outra novidade. As bagagens extraviaram e viriam por um avião da Trip. Mais 40 minutos de espera. Alguns passageiros perderam seus vôos de conexão. Uma moça teve sua mala violada. Enfim, só as 23 horas conseguimos deixar o aeroporto.
Durante o estresse gerado pelo extravio das malas, uma funcionária explicou que tiveram que passá-las para o avião da Trip porque o do Web Jet estava com muito peso: "Vocês prefeririam que o avião caísse?" indagou para indignação dos passageiros.
Eu, tirando esses perrengues até que gostei da viagem. O vôo foi tranquilo e as turbulências tiveram seu lado divertido. Parecia um parque de diversões com o avião balançando toda e um gaiato falando" êta estradinha ruim".
Bom, felizmente, o avião não caiu e estamos no Rio de Janeiro. Meu filho me convida para ir ao Centro Cultural Carioca. Acho que não. Depois de tantas emoções eu quero é uma boa cama.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Troquei casinha na Marambaia pela interação no facebook. Mas não vai ficar assim.
Tenho andado afastada do blog.
A culpa é do facebook que toma muito o meu tempo.
Passo para dar uma olhadinha e lá estou eu dando palpite em tudo. Quando vou ver, já se passaram uma, duas horas. É um passatempo e tanto. Deve ser por causa do facebook que o ano já está acabando.Voou. Percebo sequelas do tempo em meu rosto. É natural.
Não digo que fico feliz, mas é melhor do que estar morta.
Fico pensando que meu rosto não combina comigo. Me sinto tão menina.
Acho que por dentro parei nos 17 anos, com todas as vantagens de minha idade atual.
Isso é bom? Isso é mal?
Para mim, como já disse, é bem natural.
A culpa é do facebook que toma muito o meu tempo.
Passo para dar uma olhadinha e lá estou eu dando palpite em tudo. Quando vou ver, já se passaram uma, duas horas. É um passatempo e tanto. Deve ser por causa do facebook que o ano já está acabando.Voou. Percebo sequelas do tempo em meu rosto. É natural.
Não digo que fico feliz, mas é melhor do que estar morta.
Fico pensando que meu rosto não combina comigo. Me sinto tão menina.
Acho que por dentro parei nos 17 anos, com todas as vantagens de minha idade atual.
Isso é bom? Isso é mal?
Para mim, como já disse, é bem natural.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O povo não tem mais paciência para com os corruptos
| Os estudantes na entrada do Palácio de Ondina |
Banners, cartazes e muitas bandeiras na passeata que mostrou que, de fato, a paciência contra os escândalos de corrupção no país está no fim. Ninguém mais suporta. A entidade mais forte que se fez presente foi a OAB. Nada mal para um movimento que, na Bahia, começou com manifestações de funcionários da Petrobrás, revoltados com o aparelhamento da empresa, que segundo eles substituiu técnicos experientes por “companheiros” que não entendem de nada. O aluguel do modesto carro de som foi rateado entre os organizadores da manifestação e custou R$ 3 mil. Alguns grupos mandaram confeccionar camisas e banners, mas o forte mesmo foi o improviso e muita vibração.
Desde ontem uma informação no Facebook conclamava as pessoas para a caminhada que afirmava seria realizada às 10 horas. Uma tentativa pueril de sabotar o movimento? Se foi, não deu em nada. Quantas pessoas foram? Não sei calcular. Pensei em 600, mas houve quem dissesse que tinha mais de mil. Policiais Militares consultados disseram não ter condições de calcular.
Enfim, entre mortos e feridos salvaram-se todos. O pessoal do PT se preocupou à toa. A passeata foi pacífica, sem influência partidária. Não se ofendeu nem se xingou ninguém ( ah, sim, na verdade sobrou para Sarney. Alguns estudantes entoaram o mesmo coro cantado contra ele no Rock in Rio). No mais, dá para apostar que o movimento está apenas no começo e que os nossos políticos não continuarão tendo o mole que tiveram até hoje. A sociedade está de olho e aprendendo a exigir os seus direitos. Palavrórios e demagogias correm o risco de cair no vazio. Tomara que seja assim.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Orquídeas no Palacete das Artes
O Palacete das Artes Rodin Bahia realiza, a partir de amanhã ( sexta-feira, 23.09.2011) às 10h, da III Mostra de Orquídeas de Salvador. Promovida pela O.B.A, Orquidófilos Baianos Associados, a mostra que será encerrada neste domingo acontecerá diariamente das 11 às 18h com exposição de várias espécies da planta, como as exóticas cattleya, laelia, oncidium, dendrobium, vanda, ascocenda, e outras espécies nacionais e estrangeiras. Mudas de orquídeas serão vendidas no evento. Paralelamente à exposição, estão previstas oficinas de cultivo, com Roland Cooke, no sábado e domingo, às 11 horas; palestra de Cássio Wanderberg sobre “Biologia das Orquídeas”, às 16 horas do sábado; e palestra de Francisco Parente, com o tema “Noções de cultivo de orquídeas”, às 16 horas do domingo.
A mostra será palco também do lançamento da I Feira de Orquídeas e I Encontro de Orquidófilos na Chapada Diamantina que acontecerá em maio de 2012 na cidade de Lençóis, atraindo para a região colecionadores de várias regiões do Brasil e do mundo. Diretores da Ato Consultoria em Desenvolvimento Humano e Organizacional Ltda, organizadora do evento que terá a parceria do Sebrae, Senac, e Convention Bureau, com o apoio da prefeitura municipal de Lençóis, estarão à disposição da imprensa às 11h desta sexta para falar sobre os objetivos e a importância do evento que deverá reunir cerca de três mil pessoas, entre curiosos, ,moradores da região, estudantes, botânicos e orquidófilos.
Largamente cultivadas no Brasil e no mundo, o comércio de orquídeas movimenta grandes somas de dinheiro todos os anos em um mercado crescente. No Brasil, grandes orquidários no Sudeste já produzem centenas de milhares de plantas por ano, que são exportadas para outros países ou vendidas até em supermercados. Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existem em todos os continentes, exceto na Antártida, predominando nas áreas tropicais
O nome orquídea vem do grego όρχις (órkhis) que significa testículo e ειδος (eidos) que significa: aspecto, forma; em referência ao formato dos dois pequenos tubérculos que as espécies do gênero Orchis apresentam. Como este gênero foi o primeiro gênero de orquídeas a ser formalmente descrito, dele derivou o nome de toda a família.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Na boca do dragão
Me emociona o mar
e o gosto do seu sal
na minha língua.
A boca de dragão
que cresce sem cultivo,
o Hino Nacional.
O olhar de tristeza
de quem quer
que seja,
o riso desdentado,
da criança,
o andar arrastado
dos mais velhos.
Como uma gata na
coleira, eu me encolho
aberta às sensações
alheias,
presa, de forma
irremediável,
a outros destinos
que também são meus
tal e qual o elo de
uma corrente
enferrujada
que range
o tempo todo.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Poema rôto
O homem dorme no barquinho.
Dia limpo
Como pode haver mal,
e dor debaixo do sol ?...
O mar está azul, faísca,
areia rosada, rochas com
musgos, pocinhas d´água.
Mergulho...
Um homem moreno passa e me olha
de alto a baixo.
Acompanho o olhar e
o devolvo irônica
debaixo de
minhas lentes escuras:
Não parece ( eu sei),
mas poderia ser sua mãe...
À frente, a praia da minha adolescência...
Lembranças de tardes ensolaradas
amigos , paqueras,
frescobol,
e alguma inconsequência,
como pular de um penhasco
sem saber nadar apenas por exibição...
Salva com o corpo arranhado,
alma ferida,
e ego arrasado
O penhasco ainda está lá,
coberto de verde: coqueiros,
mandacarus,e mal-me-queres.
De um lado o farol e o Cristo,
do outro o Morro da Sereia.
Passo no meio de um baba,
atrapalho o jogo e os meninos
me olham irritados.
"Desculpem, foi sem querer"...
Sim, eu sei que é um privilégio,
quem sabe uma graça,
poder estar
onde estou agora,
caminhando na praia,
banhada de sol,
em dia de semana.
A calma do mar se reflete
em mim.
Estranho a sensação de beatitude.
A felicidade dá medo, já sei.
Olho para cima e peço ao velhinho de barbas brancas:
“Deus, por favor, tire esse sorriso bobo do meu rosto.”
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O homem das unhas azuis
A resistência do meu chuveiro queimou e pedi ao porteiro que arranjasse um eletricista para trocá-la. Minutos depois, ele chega a minha casa com um homem baixo, atarracado, que trabalhava numa obra das imediações e que poderia me ajudar. Mandei entrar e ao observá-lo trocando a resistência, pensei: “Conheço esses pés de algum lugar”. Serviço terminado, ele não cobrou. E muito gentil, disse que o dinheiro não compra tudo; que eu desse o que eu quisesse. Dei R$10. Depois que ele saiu falei para minha diarista: “Esse homem tem os pés parecidos com os de um homem que eu vi outro dia num orelhão . Não reparei no rosto , mas vi que tinha as unhas pintadas de azul cintilante. O formato das unhas parece o mesmo.
Ela então comentou: “Deve ser ele mesmo, porque disse que meu esmalte era bonito (vermelho fulgurante), e que costumava pintar as unhas dos pés e das mãos.”
"Mas como pode ser", comentei perplexa. "Um homem tão rude, fisicamente grosseiro até , pintar as unhas dos pés ...
- Será que homossexual?
-Acho que gay ele não é não, respondeu ela. “Quando a senhora foi lá dentro, ele me ‘cantou’ e até roçou a mão na minha”.
Fiquei pensando na complexidade da natureza humana, das sensibilidades, da arte 9ele era pedreiro) e lembrei das palavras do meu amigo Tamas:” Até a lua tem o seu lado oculto”.
Como a lua é redonda, quantos lados será que tem ?
Ela então comentou: “Deve ser ele mesmo, porque disse que meu esmalte era bonito (vermelho fulgurante), e que costumava pintar as unhas dos pés e das mãos.”
"Mas como pode ser", comentei perplexa. "Um homem tão rude, fisicamente grosseiro até , pintar as unhas dos pés ...
- Será que homossexual?
-Acho que gay ele não é não, respondeu ela. “Quando a senhora foi lá dentro, ele me ‘cantou’ e até roçou a mão na minha”.
Fiquei pensando na complexidade da natureza humana, das sensibilidades, da arte 9ele era pedreiro) e lembrei das palavras do meu amigo Tamas:” Até a lua tem o seu lado oculto”.
Como a lua é redonda, quantos lados será que tem ?
domingo, 31 de julho de 2011
Da série "Poemas fúteis e inúteis"
Bolerão
Cabeça no bolero,
eu amanheço pensando em ti,
eu adormeço pensando em ti.
Não me angustio,
e sigo
o dito popular:
" o que não tem remédio,
remediado está."
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Chico de Oliveira parodia Spielberg e diz que o Brasil está “De costas para o futuro”
O auditório da Reitoria da Universidade Federal Bahia ficou lotado na última sexta-feira (17.06) para ouvir a conferência de Francisco de Oliveira sobre “Política e Economia sob a Hegemonia às avessas” que encerrou o Encontro de São Lázaro, simpósio que comemorou os 70 anos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas trazendo para Salvador conferencistas e professores de pesos da área. No Encontro, além da realização de 12 mini-cursos, 450 pesquisadores apresentaram durante o evento, que ia diariamente das 8h às 17h, trabalhos selecionados compondo um painel rico e diversificado. Após cada jornada, os estudantes, professores, pesquisadores ou simplesmente interessados em aprender um pouco mais, seguia para a reitoria onde as conferências tiveram lugar às18h30.
O sociólogo Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, mais conhecido como Chico de Oliveira, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, do alto dos seus quase 78 anos chegou avisando que estava ali para dar “cutucadas no poder”. Criticou a atual situação política brasileira, e, sem papas na língua, derrubou mitos e paradigmas. Deve ter sido um susto e tanto para alguns lulistas ouvi-lo dizer que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não passa de um personagem construído pela esquerda que através dele viveu a utopia de Marx. Lula na opinião de Francisco promoveu uma hegemonia às avessas, ao realizar o programa do seu adversário, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A Bolsa Família, o auxilio aos bancos e outras realizações do governo passado foram algumas das farpas lançada por Oliveira comparando os trabalhadores atuais aos pobres da época de São Francisco (o santo). Todos os programas dos governos federal, estadual e municipal têm como alvo, segundo afirmou, não mais os trabalhadores, e sim os pobres. Não sustentam as classes sociais em suas reivindicações e tratam agora de fazer caridade seja a nível público ou privado. Já todas as grandes instituições capitalistas, continuou Chico Oliveira, têm algum tipo de programa de auxilio à pobreza. Para ele, não há nenhum movimento na sociedade para enfrentar essa maré comandada pelo governo e tentar transformar de novo numa pauta final dos direitos dos oprimidos. Oliveira comparou os dias atuais brasileiros ao filme de Spielberg “De volta para o futuro”, parodiando o título para “De costas para o futuro”. Sem nenhum tipo de regularização, o trabalhador brasileiro vive hoje, na sua opinião, um paraíso ou pesadelo que nenhum pensador, por mais obsceno que fosse, tenha pensado. Fernando Henrique Cardoso também não ficou de fora das críticas de Chico, para quem o colega sociólogo de príncipe virou sapo. E como ele acha que Lula seguiu o programa do adversário dá para se deduzir a idéia que Oliveira faz de FHC.
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